Saem acusações da boca à dentro,
com palavra nenhuma dita
e pensamentos em silêncios.
Do choro do poeta,
choram também as palavras,
que pingam de seus olhos,
nos papéis ficam grafadas.
Do choro do poeta,
gritam os vãos de saudade,
da vista de outro mundo,
de invadir outra realidade.
Ao choro do poeta,
o que resta é pura melancolia,
das tristezas encarnadas,
escritas em poesias.
John
Meu amor, os olhos são sempre teus. E a culpa é sempre dos olhos. Os instantes eu guardo com cuidado porque o meu peito também é delicado, e algumas estrelas de Órion estão marcadas tanto em tua pele quando na minha. Beleza é a justaposição dos nossos mundos, corpos, ideias. O que temos não é o que se completa - é o que se ultrapassa. O silencio que apreciamos é uma declaração sorrateira de que estamos no depois, enquanto os outros ainda buscam a boca que grita. Não são os lábios, é o desespero, e você entende. Meu amor, você entende. Eu fico com as lembranças, você com a eternidade, e a essência do segundo é a minha mão sob a tua. A chuva amedronta a inocência que ainda há em mim, mas a tua voz é paz. É meu anúncio de sonhos, de sono, de tranquilidade em meio aos pingos (imaginei que fossem as goteiras da casa, a tempestade exterior, mas são as tuas lágrimas). Eu digo que te amo antes de dormir e enquanto durmo, com as pestanas entregues ao cansaço e todo o meu sentimento rendido à veracidade; eu digo que te amo antes de dormir e enquanto durmo, e nem Freud nos contradiria. Os soluços são uma confissão.
Claudia
se esta não trouxer descanso pr’alma.
Mas, amor, não esquece que eu adoro todas as fases dessa tua lua. Que as estrelas no teu céu não perdem o brilho, e mesmo mortas, elas se eternizam nele. Não esquece, amor, que você é infinito, e eu não agarro o infinito. Eu quase nem caibo dentro da tua mão.
laís c.
Vírgula pode ser uma pausa. Ou não:
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro:
R$ 23,4
R$ 2,34
Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
Então as estrelas cadentes deixam de existir, e nossos pedidos mais internos não são pedidos, olhamos pro céu e esbarramos com o breu, e esse breu da mais medo do que o pensamento de que lá em cima é o infinito. Nossos rostos não brilham mais com a luminosidade da lua, porque tudo é escuro. Assim, recuamos para dentro de nós mesmo, e nos perdemos na escuridão.
sou uma causa perdida em meio ao caos, ao teu encontro e verbos, nas diversas entrelinhas e alçapões - sou passarinho. Ainda é noite, em palma… Dá-me asas?… Toma-me (não só) com a mão.
R.
Ela é o barulho da minha estação de trem. O ruído do meu rádio velho. O som que as ondas fazem no mar. Eu sou o silêncio da calmaria. A suavidade de uma noite. A mansidão de um pôr do sol. E mesmo assim a nossa frequência continua sendo a mesma.